Arriscar – uma palavra bem protegida, por Catarina Duarte

A palavra “arriscar” devia pertencer, de forma obrigatória, ao nosso código genético pois, na verdade, é aquilo que nos impulsiona, aquilo que nos faz mexer, aquilo que nos concretiza: no fundo, sem floreados, é o empurrão da (nossa) realização.

 

Sendo uma pessoa que aprecia segurança, a palavra “arriscar” existe, em mim, sempre bem protegida. Costumo almofada-la com certezas, enquadra-la com alguma solidez e revesti-la sempre com garantias.

 

Só assim, segura e responsável, a palavra “arriscar” pertence àquilo que me constrói.

 

Mas pergunto, agora que me debruço sobre isso se, estando tão bem protegida, faz algum sentido, esta palavra, para mim, existir?

 

A resposta correta seria que não.

 

Não me atiro de um avião com paraquedas, não abandono o meu ganha-pão para ser pintora, nem largo tudo para arriscar uma volta ao mundo em bicicleta mas, à minha dimensão, ao nível daquilo que me sinto confortável para concretizar, encerro em mim um “arriscar” bem desenhado, recortado onde permito que ele seja, muito consciente e algo concreto.

 

Portanto, sim, faz sentido esta palavra para em mim existir: todos os dias arrisco a minha sorte, o meu tempo, a minha vida a fazer o que gosto.

 

No tempo que não tenho, nas horas que não durmo, nos segundos onde sou imensamente feliz arrisco-me sempre a criar e, principalmente, a existir.

 

Catarina Duarte
insensatez.blogs.sapo.pt

Catarina Duarte

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